Tema 1: Trabalho no Sul Global

Apesar da conexão orgânica entre os países menos desenvolvidos / em desenvolvimento (Sul) e os países desenvolvidos (Norte) impulsionados pelo colonialismo e pelo imperialismo, o desenvolvimento desigual do capitalismo entre as duas regiões levou a uma dinâmica no Sul que nos obriga a repensar nosso entendimento comum sobre o tema 'trabalho'. A condição e a experiência dos trabalhadores do Sul são definidas não apenas pela subordinação de seus estados nacionais aos países desenvolvidos, mas também à escala da desigualdade social dentro de seus países. Diversas formas de trabalho remunerado e não remunerado, hierarquias raciais e de gênero, fazem parte de um grande setor informal, com uma crescente força de trabalho feminina mal  remunerada, profissionais com  saúde comprometida, sem bem-estar no trabalho, falta de proteção social oferecida pelo Estado e, frequentemente, com oportunidades limitadas de ação coletiva. Legados coloniais persistentes, visíveis nas noções elitistas de desenvolvimento e produção de conhecimento, reproduziram, em vez de desafiar, formas deletérias de exploração do trabalho e a pauperização de comunidades ligadas à extração contínua de recursos naturais e à degradação ambiental. O emergente movimento sul-sul de mão-de-obra e as subsequentes desigualdades regionais colocam novas questões sobre as condições de trabalho dos migrantes, seus padrões transnacionais de reprodução social e os limites dos atuais projetos de desenvolvimento no Sul global.

A vida profissional resultante desse processo e as experiências vividas dos trabalhadores no Sul global exigem um redirecionamento do foco intelectual e o alargamento dos limites empíricos e teóricos de como o trabalho e os trabalhadores são pesquisados. Isso exige que tracemos e questionemos relações desiguais de poder inerentes em modelos econômicos dominantes e tornemos visíveis alternativas, formas socialmente comprometidas de conhecimento e produção econômica. Neste tema, reunimos estudiosos do trabalho, pesquisadores e profissionais que compartilham perspectivas semelhantes para explorar os desafios enfrentados e as respostas adotadas pelo trabalho no Sul global. Buscamos resistir à dominância do norte global , através da  literatura sobre o trabalho, trazendo ao primeiro plano esse tema, permitindo que dimensões vibrantes, culturais e sociais surjam em nossos discursos e práticas no Sul global.

Os temas dos projetos

Então, quem está construindo o desenvolvimento sustentável? Trabalho e exploração de migrantes no Sul Global

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A pesquisa participativa tem como objetivo investigar e transformar o vínculo cada vez mais amplo entre a concentração de migrantes que precisam de proteção humanitária ao longo dos corredores migratórios na região da Amazônia brasileira a exigência de ampla e flexível força de trabalho para grandes projetos de infraestrutura - incluindo para os setores construção civil e agronegócio -, e as condições de trabalho exploradoras nessas indústrias que fazem parte das agendas de "desenvolvimento sustentável". O projeto envolve trabalhadores do Brasil, Haiti, Colômbia, Venezuela, Senegal e vários outros estados africanos para:

i) documentar a influência de agentes formais e informais na jornada e no emprego dos trabalhadores migrantes;

ii) identificar déficits do trabalho digno e da proteção social;

iii) propor coletivamente soluções transformadoras por meio de uma variedade de mídias;

 iv) facilitar o diálogo social direto entre trabalhadores migrantes, parceiros do projeto e agências governamentais, industriais, trabalhistas e sem fins lucrativos, no âmbito estadual, regional e nacional;

Equipe do projeto
Financiamento

ESRC Global Challenges

Parceiros

Saúde e bem-estar dos trabalhadores de Bangladesh nas Maurícias

As Maurícias são um destino de trabalho atraente para os trabalhadores de Bangladesh devido às suas semelhanças industriais e culturais. Eles estão, no entanto, sujeitos a salários mais baixos, longas horas de trabalho e moradia precária. Eles enfrentam grandes problemas de integração, incluindo pouca interação social e sentimentos xenófobos. Eles são privados de apoio jurídico adequado, assistência médica e segurança no trabalho, os quais são frequentemente mascarados,  havendo uma exploração geral sem consideração específica do impacto na saúde e no bem-estar dos migrantes. O projeto tem como objetivo avaliar a saúde e o bem-estar dos trabalhadores de Bangladesh nas Maurícias e reunir um conjunto multidisciplinar e multifuncional de partes interessadas de setores privado, público e empresas terceirizadas que podem contribuir para a pesquisa e criar impacto relacionado às políticas para os trabalhadores de Bangladesh (e outros trabalhadores migrantes) nas Maurícias.

Equipe do projeto
  • Pratima Sambajee (PI)
  • Dora Scholarios
Financiamento

GCRF pump priming, University of Strathclyde

Parceiros
  • Dr Imteaz Mohamadhosen (University of Mauritius)
  • Jane Ragoo ( Confederation des travailleurs du secteur prive et publique (CTSP)
  • Reaz Chuttoo (Confederation des travailleurs du secteur prive et publique (CTSP)
  • National Productivity and Competitiveness Council Mauritius

Equipe

  • Pratima Sambajee, Universidade de Strathclyde
  • Francis Portes Virginio, Universidade de Strathclyde
  • Jane Ragoo, Confederação dos Trabalhadores do Setor Privado e Público (CTSP)
  • Fedo Bacourt, Social Union of Haitian Immigrants (USIH), Brazil