Tema 1: Trabalho no Sul Global

Apesar da conexão orgânica entre os países menos desenvolvidos / em desenvolvimento (Sul) e os países desenvolvidos (Norte) impulsionados pelo colonialismo e pelo imperialismo, o desenvolvimento desigual do capitalismo entre as duas regiões levou a uma dinâmica no Sul que nos obriga a repensar nosso entendimento comum sobre o tema 'trabalho'. A condição e a experiência dos trabalhadores do Sul são definidas não apenas pela subordinação de seus estados nacionais aos países desenvolvidos, mas também à escala da desigualdade social dentro de seus países. Diversas formas de trabalho remunerado e não remunerado, hierarquias raciais e de gênero, fazem parte de um grande setor informal, com uma crescente força de trabalho feminina mal  remunerada, profissionais com  saúde comprometida, sem bem-estar no trabalho, falta de proteção social oferecida pelo Estado e, frequentemente, com oportunidades limitadas de ação coletiva. Legados coloniais persistentes, visíveis nas noções elitistas de desenvolvimento e produção de conhecimento, reproduziram, em vez de desafiar, formas deletérias de exploração do trabalho e a pauperização de comunidades ligadas à extração contínua de recursos naturais e à degradação ambiental. O emergente movimento sul-sul de mão-de-obra e as subsequentes desigualdades regionais colocam novas questões sobre as condições de trabalho dos migrantes, seus padrões transnacionais de reprodução social e os limites dos atuais projetos de desenvolvimento no Sul global.

A vida profissional resultante desse processo e as experiências vividas dos trabalhadores no Sul global exigem um redirecionamento do foco intelectual e o alargamento dos limites empíricos e teóricos de como o trabalho e os trabalhadores são pesquisados. Isso exige que tracemos e questionemos relações desiguais de poder inerentes em modelos econômicos dominantes e tornemos visíveis alternativas, formas socialmente comprometidas de conhecimento e produção econômica. Neste tema, reunimos estudiosos do trabalho, pesquisadores e profissionais que compartilham perspectivas semelhantes para explorar os desafios enfrentados e as respostas adotadas pelo trabalho no Sul global. Buscamos resistir à dominância do norte global , através da  literatura sobre o trabalho, trazendo ao primeiro plano esse tema, permitindo que dimensões vibrantes, culturais e sociais surjam em nossos discursos e práticas no Sul global.

Os temas dos projetos

Securitisation of Nature, Displacement and Unfree labour in Brazil's Amazon

This project (2021-2024) aims to examine the securitization of regulatory agencies and its impact on experiences of unfree labour within internally displaced communities (IDPs) in Brazil, particularly in biodiverse and resource rich regions. This three-year study will focus on the experiences of unfree labour in massive-scale transport and energy infrastructure projects to investigate:

(1)  how the securitization of state policy and practice is regulating forms of slave labour in infrastructure projects among newly displaced in the Amazonian region;

(2) the extent to which inequitable access to social rights and adequate living conditions following displacement are linked to the experience of slave labour;

(3) how the shared experiences of the internally displaced and the enhanced visibility of their working conditions can inform local, national and international policies and practices to combat slave labour.

Project Coordinator

Funding

Leverhulme Trust and University of Strathclyde 

Leverhulme Early Career fellowship (ECF)

Então, quem está construindo o desenvolvimento sustentável? Trabalho e exploração de migrantes no Sul Global

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A pesquisa participativa tem como objetivo investigar e transformar o vínculo cada vez mais amplo entre a concentração de migrantes que precisam de proteção humanitária ao longo dos corredores migratórios na região da Amazônia brasileira a exigência de ampla e flexível força de trabalho para grandes projetos de infraestrutura - incluindo para os setores construção civil e agronegócio -, e as condições de trabalho exploradoras nessas indústrias que fazem parte das agendas de "desenvolvimento sustentável". O projeto envolve trabalhadores do Brasil, Haiti, Colômbia, Venezuela, Senegal e vários outros estados africanos para:

i) documentar a influência de agentes formais e informais na jornada e no emprego dos trabalhadores migrantes;

ii) identificar déficits do trabalho digno e da proteção social;

iii) propor coletivamente soluções transformadoras por meio de uma variedade de mídias;

 iv) facilitar o diálogo social direto entre trabalhadores migrantes, parceiros do projeto e agências governamentais, industriais, trabalhistas e sem fins lucrativos, no âmbito estadual, regional e nacional;

Equipe do projeto
Financiamento

ESRC Global Challenges

Parceiros

Saúde e bem-estar dos trabalhadores de Bangladesh nas Maurícias

As Maurícias são um destino de trabalho atraente para os trabalhadores de Bangladesh devido às suas semelhanças industriais e culturais. Eles estão, no entanto, sujeitos a salários mais baixos, longas horas de trabalho e moradia precária. Eles enfrentam grandes problemas de integração, incluindo pouca interação social e sentimentos xenófobos. Eles são privados de apoio jurídico adequado, assistência médica e segurança no trabalho, os quais são frequentemente mascarados,  havendo uma exploração geral sem consideração específica do impacto na saúde e no bem-estar dos migrantes. O projeto tem como objetivo avaliar a saúde e o bem-estar dos trabalhadores de Bangladesh nas Maurícias e reunir um conjunto multidisciplinar e multifuncional de partes interessadas de setores privado, público e empresas terceirizadas que podem contribuir para a pesquisa e criar impacto relacionado às políticas para os trabalhadores de Bangladesh (e outros trabalhadores migrantes) nas Maurícias.

Equipe do projeto
  • Pratima Sambajee (PI)
  • Dora Scholarios
Financiamento

GCRF pump priming, University of Strathclyde

Parceiros
  • Dr Imteaz Mohamadhosen (University of Mauritius)
  • Jane Ragoo ( Confederation des travailleurs du secteur prive et publique (CTSP)
  • Reaz Chuttoo (Confederation des travailleurs du secteur prive et publique (CTSP)
  • National Productivity and Competitiveness Council Mauritius

Equipe

  • Pratima Sambajee, Universidade de Strathclyde
  • Francis Portes Virginio, Universidade de Strathclyde
  • Jane Ragoo, Confederação dos Trabalhadores do Setor Privado e Público (CTSP)
  • Fedo Bacourt, Social Union of Haitian Immigrants (USIH), Brazil